domingo, 9 de julho de 2017

HEROIS ANÔNIMOS, AMOR E CHUVA




Eu não sei o nome deles. Mas nem é preciso. A cena que presenciei no início da noite de uma sexta-feira vale mais do que um documento de identidade. Foi tudo muito rápido e as pessoas que passavam pelo local ou estavam dentro da loja certamente não entenderam o que estava acontecendo. Já estava bem escuro.

Chovia, aquela chuva fina e fria dos últimos dias. Primeiro parei o carro ocupando duas vagas, na pressa para pedir uma informação a uma das moças que trabalham nos caixas em um estabelecimento comercial, na avenida Getúlio Vargas. O segurança, devidamente fardado, me abordou e, gentilmente, me ajudou a estacionar corretamente.

Também fui gentil e agradeci, mas acho que ele nem ouviu, porque exatamente nesse momento um motociclista atropelou um ciclista, cujo corpo ficou estendido no chão. O segurança (aquele gentil, que me ajudou a estacionar o carro) correu para o meio da avenida e evitou uma tragédia maior, gesticulando para que os carros passassem pelo outro lado.

Ao mesmo tempo, um colega dele ajudava o motociclista, que também caiu com o tombo, a recolher seus pertences e retirar a moto do local. Tudo em questão de segundos. Ninguém pediu ajuda e muito menos mandou que eles fizessem isso. Um gesto que me fez acreditar que ainda é possível esperar algo de bom das pessoas.

De lá, depois de trocar umas moedas e fazer uma compra de R$ 1,87 (rsrsrs), fui visitar a princesa Alice, uma menina de 7 anos que está dando lições em muita gente grande nesses dias em que está em observação médica no hospital, sob os olhos vigilantes da mãe Kenna, familiares, amigos, tios – de verdade e de empréstimo, como eu – e das bonecas Barbie com quem divide a cama hospitalar.

E foi de Alice que eu ouvi a resposta para uma tia – igualmente emprestada – que queria saber o que ela gostaria de receber de presente: “Amor, o resto eu tenho”. Foi o que faltava para fechar a noite com chave de ouro e bem mais tarde, já em casa, driblar o frio duplamente enroscada: no cobertor quente e no corpinho acolhedor de meu neto Lucas.

Madalena de Jesus

Um comentário:

  1. Enquanto, ouço uma bela saudação a Deus agradecida por tudo que me tem acontecido eu lia o seu "Heróis anônimos amor e chuva". Antes de tudo lindo e maravilhoso como tudo que você escreve.
    Estou na sala e olhando o mar revolto lá fora, vejo que estamos a uns pouco mais de 100m distantes um do outro. Ainda não chegou até nós porque tem tem um rebatedor daqueles naturais. Gosto do que vejo. O mar revolto, a chuva fortíssima e um vento impressionante. Está bem frio, eu amo esse tempo. Em alguns momentos sinto medo. O mundo a minha volta está literalmente cor de cinza...mar, céu e terra se fundiram em um só. Daqui da minha sala admiro tudo pensando que num tempo não muito distante o mar estará aqui onde é a minha casa. Santa Cruz Cabralia, estrada da Balsa, Quem conhece e observa, sabe do que estou falando. O homem insano e destruidor não se dá conta para o mal que faz a si proprio e à natureza. Aqui onde estou agora, um dia será tudo mar! Madalena eu queria agora braços quentinhos como do seu pequenino para me abraçar me aquecer e fazer esquecer o que em breve poderá nos acontecer.

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